Ninguém precisa de outros bons motivos para abrir uma garrafa do vinho
tinto produzido com a cepa de uvas Tannat, além do alto teor alcoólico e dos
aromas "de frutas vermelhas". Cientistas britânicos, no entanto, acrescentaram
mais um à lista: a variedade é uma das que mais protegem o
coração.
Os produtores do Uruguai vão adorar a notícia publicada na edição de hoje da
"Nature". O país é o principal reduto da uva, originária da França. Após a
introdução da Tannat em 1870, a cepa responde pela maior parte dos 95 milhões de
litros produzidos ali anualmente.
O grupo de Roger Corder, da Queen Mary University, investigou vários
compostos do vinho tinto -os chamados polifenóis- candidatos a maiores
responsáveis pela já comprovada proteção. A pesquisa queria saber quais frações
dos polifenóis mais inibiam em certas células das artérias coronárias a produção
da endotelina-1 (ET-1), um vasoconstritor. O composto capaz de reduzir sua
quantidade deve facilitar o fluxo de sangue.
A análise química indicou que os polifenóis mais ativos do vinho tinto são as
procianidinas-taninos condensados presentes em alta concentração, até um grama
por litro, em vinhos Tannat. Os britânicos compararam vinhos de regiões
européias de alta longevidade na população com vinhos de outras partes. Chegaram
à Província de Nuoro, na Sardenha, e ao Departamento de Gers, no sudoeste
francês, ambos detentores de invejáveis expectativas de vida, em particular
entre homens.
Além da predileção por Tannat, sobrevivem aí métodos tradicionais de produção
vinícola, que favorecem a extração de procianidinas das sementes de uva. Seus
vinhos tinham 2 a 4 vezes mais atividade biológica e concentração dessas
substâncias que outros estudados.
Fonte: Folha Online |